Gênero Fábula

Moral da história...
A FÁBULA é um gênero textual, de estrutura narrativa e normalmente, de composição curta e simples, que busca compor histórias didáticas, que abordem valores éticos e morais. Caracterizam-se, ainda, pela pouca quantidade de personagens, geralmente sem complexidade, podendo estes ser pessoas, animais ou seres inanimados, mas sempre carregando características comportamentais e socioemocionais humanas.
A principal intenção das fábulas é provocar uma reflexão, através do comportamento das personagens e dos contextos narrativos, atitudes e consequências, que possam ser associadas às situações recorrentes na sociedade. Esses aspectos morais são normalmente explicitados ao final da narrativa, com uma frase ou uma lição, inspirada no exemplo do que foi vivido pelos personagens.
Estima-se que as fábulas tenham originado-se por volta de 620 a 560 a.C., na Grécia Antiga, contadas por um autor chamado Esopo, a partir de seu interesse em ensinar valores ao povo da época. Além de Esopo, outros dois autores conhecidos são Fedro e La Fontaine, cujas obras estarão disponíveis em breve no blog.
Esopo

Fabulista, mitógrafo, filósofo e escritor; sua origem é debatida entre estudiosos, estimando-se que ele tenha nascido em 620 a.C., em Nessebar (antiga cidade localizada na costa da Bulgária), mas considerando também a possibilidade de ele ter nascido em Trácia, Frígia, Egito, Etiópia, Samos, Atenas, Sardes ou Amório. Também considera-se a possibilidade de sua origem ser africana, pois "Esopo" poderia ser uma contração da palavra "etíope", que em grego se refere aos africanos subsaarianos.
Esopo teria morrido em Delfos, em 564 a.C., tendo sido executado injustamente. O autor teria sido escravo do filósofo Xanto, cidadão de Samos. Segundo Aristóteles, Esopo teria uma vez discursado na Assembleia da mesma cidade, em defesa de um demagogo.
Dentre suas obras, podemos mencionar "A Cigarra e a Formiga", "A Raposa e o Corvo", "A Lebre e a Tartaruga" e "O Leão e o Rato", sendo estas as mais conhecidas.
Fedro

Gaius Lulius Phaedrus (Caio Júlio Fedro), foi um fabulista romano, nascido no Século I d.C., na Macedônia (Grécia). Era filho de escravos, mas foi liberto pelo Imperador Augusto.
Fedro foi responsável por introduzir o gênero criado por Esopo na literatura latina, além de enriquecer estilisticamente muitas de suas obras. Até então, as fábulas de Esopo eram transmitidas oralmente, e não havia registros escritos. Suas fábulas criticavam as injustiças, os políticos e os males da sociedade, tratando os temas às vezes com seriedade e às vezes com humor.
O autor teria vivido durante os governos de Tibério e Calígula, e devido às suas sátiras aos costumes da época, acabou sendo exilado. Como o próprio Fedro nos informa, o ministro de Tibério, Sejano, o julgou, suspeitando de alusões indesejáveis aos poderosos. No entanto, ele saiu ileso, talvez devido à queda em desgraça e à morte do prefeito, e pôde continuar escrevendo sem ser perturbado até o império de Cláudio (41-54), ou talvez mesmo até o império de Nero (54-68).
O fabulista teria publicado cinco livros de fábulas esópicas, cujas histórias faziam alusões à sua vida. Em "O lobo e o cordeiro", Fedro parece ter se baseado nos acontecimentos de sua época para, ao final, como lição de moral, dizer que "esta fábula foi escrita por causa daqueles homens que oprimem os inocentes com pretextos falsos".
La Fontaine

Jean de La Fontaine foi um poeta e fabulista francês, nascido em Château, Thierry, em 8 de julho de 1621 e falecido em 13 de abril de 1695, em Paris, onde está sepuldado ao lado do dramaturgo Molière.
Suas obras serviram de modelo para fabulistas europeus que vieram depois dele, e são divididas em três categorias: fábulas, contos e obras diversas. Suas fábulas, embora sejam derivadas na maior parte de Esopo e Horácio, são contadas em forma de versos livres.
Os versos enganosamente simples são facilmente memorizados, mas exibem percepções profundas sobre a natureza humana. Muitas das linhas entraram na língua francesa como frases padrão, muitas vezes proverbiais. As fábulas também se distinguem por sua ambivalência ocasionalmente irônica. A fábula "O Escultor e a Estátua de Júpiter" (IX.6), por exemplo, pode ser lida como uma sátira à superstição, mas sua conclusão moralizante é que "Todos os homens, tanto quanto lhes cabe, criam realidades de sonhos" pode igualmente ser aplicado à religião como um todo.
Dentre suas obras podemos citar "O Galo e a Raposa", "A Tartaruga e os Patos" e "O Burro com pele de Leão".
As fábulas são analisadas em PLANO NARRATIVO (referente à estrutura narrativa em si- personagens, enredo, desfecho, etc.), e em PLANO MORAL (que se refere ao objetivo expresso com o desenvolvimento da história, à lição que deve ser aprendida com ela).
A seguir, vamos analisar um exemplo:
A Lebre e a Tartaruga
Era uma vez… uma lebre e uma tartaruga. A lebre vivia caçoando da lerdeza da tartaruga.
Certa vez, a tartaruga, já muito cansada por ser alvo de gozações, desafiou a lebre para uma corrida.
A lebre, muito segura de si, aceitou prontamente.
Não perdendo tempo, a tartaruga pôs-se a caminhar, com seus passinhos lentos, porém, firmes.
Logo a lebre ultrapassou a adversária, e vendo que ganharia fácil, parou e resolveu cochilar um pouco.
Quando acordou, não viu a tartaruga e começou a correr.
Já ao final, viu finalmente a sua adversária cruzando a linha de chegada, toda sorridente.
Moral da história: Devagar se vai longe.
FONTE: PROJETO ABELHA
Nesta fábula, podemos notar duas personagens, as quais trata-se de animais (a Tartaruga e a Lebre), mas que possuem características humanizadas, que podem ser percebidas no comportamento, na interação e até no pensamento das personagens. O conflito se dá quando a Tartaruga se vê cansada de ser alvo das piadas da Lebre e decide tomar uma atitude (desafiar a rival para uma corrida). No entanto, temos uma reviravolta, no momento em que a Lebre é ultrapassada pela Tartaruga, e podemos perceber a lição explícita ao final da história: "devagar se vai longe".
Espero que tenham gostado desse conteúdo e que possam aprender bastante com ele. Até a próxima!
